...
Segunda-feira, 14.04.14

Em terras nossas vivem-se tempos de miopia, miopia no sentido temporal, os actores políticos não conseguem enxergar além do imediato.

 

Uns porque sim,

Outros porque não,

Uns porque não,

Outros porque sim,

 

A mensagem que se está a transmitir além do Sôr, do Cabeço de São Lourenço, …, é uma mensagem de desentendimento, de falta de capacidade de dialogo e sobretudo de pouca credibilidade.

Sendo o nosso Concelho parco em recursos, necessita de recursos externos ao Concelho, necessita de transmitir uma mensagem credível, uma mensagem de união, uma mensagem de futuro.

 

Podemos dizer que o mau espectáculo está a ser dado pela oposição,

é verdade que sim.

Mas convém dizer,

também,

que para haver espectáculo tem que haver espectadores, e o que não é a posição se não espectador?

 

O Crato, Concelho, necessita de Pessoas para o futuro, porque o presente foi ontem e o futuro é amanhã.

O Crato, Concelho, teve um grande Presidente de Câmara, Homem com visão e capacidade de fazer, já aqui foi escrito.

O Crato, Concelho, teve 4quatro4 anos sem ideias.

O Crato, Concelho, tem presentemente 3uma3 OPOSIÇÃO míope.

O Crato, Concelho, tem presentemente 2uma2 POSIÇÃO míope.

O Crato, Concelho, tem NÃO TEM presentemente Assembleia Municipal.

 

Em tempos nossos por terras nossas

vive-se a Pessach

seria importante perceber o termo, e pensar como somos efémeros …

 

Boris, 14 de Abril de 2014, no Crato




Sábado, 05.04.14

Boa música em boa companhia, um bom vinho

Boris, 5 de Abril de 2014, no Crato




Boris, 5 de Abril de 2014, no Crato



Boris às 10:54 | link do post | comentar

Segunda-feira, 24.03.14

Fly me to the moon

Let me play among the stars

Let me see what spring is like

On Jupiter and Mars

In other words, hold my hand

In other words, darling, kiss me

 

Fill my heart with song

And let me sing forever more

You are all I long for

All I worship and adore

In other words, please be true

In other words, I love you

 

Fly me to the moon

Let me play among the stars

Let me see what spring is like

On Jupiter and Mars

In other words, hold my hand

In other words, darling, kiss me

 

Fill my heart with song

Let me sing forever more

You are all I long for

All I worship and adore

In other words, please be true

In other words, in other words

In other words, in other words

In other words

I love ... you

 

By Bart Howard

 

 

Boris, 24 de Março de 2014, no Crato




Domingo, 23.03.14

 

Boris, 23 de Março de 2014, no Crato




Terça-feira, 11.03.14

Amanhã, 12 de Março de 2014,

em tempos nossos em terras nossas

um programa eleitoral em tons de verde,

?era de esperança?,

vai ser dado a conhecer.

 

Boris, 11 de Março de 2014, no Crato

 

 




Sábado, 08.03.14

1. RECONSTITUIÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças. Elas enchem lancheiras e tarros e pastas de escola com latas e buchas e fruta embrulhada num pano limpo. Elas lavam os lençóis e as camisas que hão-de suar-se outra vez. Elas esfregam o chão de joelhos com escova de piaçaba e sabão amarelo e correm com os insectos a que não venham adoecer os seus enquanto dormem. Elas brigam nos mercados e praças por mais barato. Elas contam centavos. Elas costuram e enfiam malhas em agulhas de pau com as lãs que hão-de manter no corpo o calor da comida que elas fazem. Elas vêm com um cântaro de água à cinta e um molho de gravetos na cabeça. Elas limpam as pias e as tinas e as coelheiras e os currais. Elas acendem o lume. Elas migam hortaliça. Elas desencardem o fundo dos tachos. Elas passajam meias e calças e camisas e outra vez meias. Elas areiam o fogão com palha de aço. Elas calcorreiam a cidade a pé e à chuva porque naquele bairro os macacos são caros. Elas correm esbaforidas para não perder o comboio, o barco. Elas pousam o cesto e abrem a porta com a mão vermelha. Elas põem a tranca no palheiro. Elas enterram o dedo mínimo na galinha a ver se tem ovo. Elas acendem o lume. Elas mexem o arroz com um garfo de zinco. Elas lambem a ponta do fio de linha para virar a camisa. Elas enchem os pratos. Elas pousam o alguidar na borda da pia para aguentar. Elas arredam a coberta da cama. Elas abrem-se para um homem cansado. Elas também dormem.

 

2. REPRODUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná-los para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençóis com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrelaçam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vêm trazer um borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.

3. PRODUÇÃO

Elas sobem para cima de um caixote, que ainda são pequenas para chegar à bancada de descamar o peixe. Elas mondam, os dedos tolhidos de frieira e urtiga. Elas fazem descer a lâmina de cortar o coiro. Elas sopram nos dedos a aquecê-los, esfregam os olhos, voltam a pôr as mãos por detrás da lente a acertar os fios da matriz do transístor. Elas espremem as tetas da vaca para o balde apertado entre as pernas. Elas fecham num dia as pregas de papel de mil pacotes de bolacha. Elas acertam em duzentos casacos a postura da manga onde cravar o botão. Elas limpam o suor da testa com a manga e a foice rebrilha ao sol por cima da cabeça e da seara. Elas ouvem a matraca de dez teares enquanto a peça cresce diante, o fio amandado de braço a braço aberto. Elas cortam os dedos nas primeiras vinte cinco latas até calejar bem. Elas fazem a agulha passar para cá e lá em cruz na tela do tapete. Elas vigiam a última fileira de garrafas, caladas, à espera da sirene. Elas carregam o cesto de azeitona à cabeça já sem cantar, até que o sol se ponha.

 

4. SERVIÇOS

Elas carregam no botão da caixa e fazem quinhentos trocos miúdos. Elas metem a cavilha, dizem outro número e passam a vigésima chamada. Elas mexem panelões que lhes chegam à cinta. Elas descem doze caixotes de lixo já noite fechada. Elas fazem todas as camas e despejos de uma família alheia. Elas picam bilhetes metidas numa caixa de vidro. Elas batem à máquina palavras que não entendem. Elas arquivam por ordem alfabética duas mil fichas e vinte e cinco ofícios. Elas vão outra vez buscar a gaveta das luvas para o balcão a ver se há aquele verde. Elas aspiram do pó antes das nove doze assoalhadas e cento e dez degraus de alcatifa. Elas entram na praça manhã cedo, já vindas da lota ajoujadas com o peixe para as bancadas. Elas acertam as bainhas de joelhos, a boca cheia de alfinetes. Elas põem trinta e duas arrastadeiras e tiram sessenta temperaturas. Elas pintam unhas de homem. Elas guardam sanitas e fazem renda em pequenos cubículos sem janela.

 

5. TRANSMISSÃO DE IDEOLOGIA

Coisas que elas dizem:

- Se mexes aí, corto-ta.

- Isso não são coisas de menina.

- O meu homem não quer.

- Estuda, que se tiveres um empregozinho sempre é uma ajuda.

- A mulher quer-se é em casa.

- Isto já vai do destino de cada um.

- Deus não quiz.

- Mas o senhor padre disse-me que assim não.

- Dá um beijinho à senhora que é tão boazinha para a gente.

- Você sabe que eu não sou dessas.

- Estás a dar cabo do teu futuro com uns e com outros.

- Deixa-te disso, o que é preciso é sossego e paz de espírito.

- Comprei uns jeans bestiais, pá.

- Sempre dá para uma televisão daquelas novas.

- Cada um no seu lugar.

- Julgas que ele depois casa contigo?

- Sempre há-de haver pobres e ricos.

- Se tu gostasses de mim não andavas com aquela cabra a gastar o nosso.

- Põe o comer ao teu irmão que está a fazer os trabalhos.

- Sempre é homem.

 

6. PRODUÇÃO DE DESEJO

Elas olham para o espelho muito tempo. Elas choram. Elas suspiram por um rapaz aloirado, por duas travessas para o cabelo cravejadas de pedrinhas, um anel com pérola. Elas limpam com algodão húmido as dobras da vagina da menina pensando, coitadinha. Elas escondem os panos sujos de sangue carregadas de uma grande tristeza sem razão. Elas sonham três noites a fio com um homem que só viram de relance à porta do café. Elas trazem no saco das compras uma pequena caixa de plástico que serve para pintar a borda dos olhos de azul. Elas inventam histórias de comadres como quem aventura. Elas compram às escondidas cadernos de romances em fotografias. Elas namoram muito. Elas namoram pouco. Elas não dormem a pensar em pequenas cortinas com folhos. Elas arrancam os primeiros cabelos brancos com uma pinça comprada na drogaria. Elas gritam a despropósito e agarram-se aos filhos acabados de sovar. Elas andam na vida sem a mãe saber, por mais três vestidos e um par de botas. Elas pagam a letra da moto ao que lhes bate. Elas não falam dessas coisas. Elas chamam de noite nomes que não vêm. Elas ficam absortas com a mola da roupa entre os dentes a olhar o gato sentado no telhado entre as sardinheiras. Elas queriam outra coisa.

 

7. REVOLUÇÃO

Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram. Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui nos cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrabaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada. Elas estenderam roupas a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.

 

Dezembro de 1975

in CRAVO, MARIA VELHO DA COSTA, MORAES EDITORES, 1976

 

Boris, 8 de Março de 2014, no Crato




Quinta-feira, 20.02.14

 

 Um mandarim que se preparava para desempenhar um importante cargo oficial recebeu a visita de um amigo que lhe foi apresentar as despedidas.

Abraçaram-se e o amigo recomendou-lhe:

— Acima de tudo, no desempenho das tuas importantes funções, nunca percas a paciência.

Prometeu o mandarim que nunca esqueceria este precioso conselho.

Três vezes repetiu o amigo a mesma recomendação, provocando o enfado do mandarim. Quando se preparava para o fazer pela quarta vez, o mandarim exaltou-se e gritou:

— Basta, eu não sou surdo e muito menos sou um imbecil!

Então o amigo, acalmando-o com a mão posta sobre o seu ombro, fez este comentário:

— Podes assim ver como é importante ser paciente. Três vezes ouviste o meu conselho, já não conseguindo dissimular o enfado. À quarta vez não conseguiste controlar a fúria. O que acontecerá quando, no desempenho do teu cargo, tiveres de ser verdadeiramente paciente?

O amigo baixou os olhos para o chão e limitou-se a suspirar.

 

J. J. Letria

Contos da China antiga

Porto, Ambar, 2002

 

Em terras nossas, em tempos nossos,

bom que seria que houvesse mais respeito pelas palavras proferidas

em tempos nossos, por terras nossas.

 

Boris. 20 de Fevereiro de 2014, no Crato




Quarta-feira, 19.02.14

Estamos lixados.

Novidade? não, rotina.

Então?

Então, é que estamos lixados e temos que nos congratular por isso. É? É.

e agradecer,

festejar,

ficarmos aliviados porque escapámos ao comunismo.

 

Então estamos no rumo certo?

não.

Não?!! então?

não sei, dizem que sim, mas, não sei.

 

A Bloom Consulting

coloca-nos na 224ª posição a nível nacional em 308, não é mau.

Não?!!, não, podia ser pior!!

Sim podia.

coloca-nos na 34ª posição no Alentejo em 58, não é mau.

Não?!!, não, podia ser pior!!

Sim podia.

coloca-nos na 35ª posição nos negócios no Alentejo em 58, não é mau.

Não?!!, não, podia ser pior!!

Sim podia.

coloca-nos na 28ª posição para visitar no Alentejo em 58, não é mau.

Não?!!, não, podia ser pior!!

Sim podia.

coloca-nos na 50ª posição para viver no Alentejo em 58, não é mau.

Não?!!, não, podia ser pior!!

Sim podia.

 

Mas, estes números

224, 34, 35, 28, 50, foi obra, ou falta dela, dos comunistas, não foi?

foi. Então estamos no rumo certo, certo?

não sei. Sabes sabes, não queres é dizer, repete

estamos no rumo certo, estamos no rumo certo, estamos no rumo certo, estamos no rumo certo, estamos no rumo certo, estamos no rumo certo, estamos no rumo certo, estamos no rumo certo,

então? estamos estamos, estamos no rumo certo.

deixa-te de tretas

vamos festejar, vem ai o Carnaval.

 

Boris, 19 de Fevereiro de 2014, no Crato




Domingo, 09.02.14

 

Boris, 9 de Fevereiro de 2014, no Crato




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